Passavam das duas da manhã quando o choro de um homem cansado cortou o meio fio da madrugada. Pulsava no silêncio mórbido do sono de muitos. Mas não nos dele. Os olhos perdidos, focados em nada, à luz calma da vela, pensava em tudo que o cercava, tentava mastigar os eventos de sua vida e procurar entre eles o que o fazia tão triste, o que deixava sua alma tão torturada. Sabe, o vazio da madrugada lhe vazia tão bem, ele se sentia livre, confortável. O peso nos ombros que lhe afligia durante o dia, sumia à noite e dava lugar a calmaria. As vezes ao sorriso. Mas isso não acontecia a algum tempo. Ele não conseguia sorrir naquela noite, tudo que lhe passava a mente eram as escolhas ruins que havia feito durante o dia. Se perguntava o significado de liberdade. Não a liberdade mostrada nos comerciais de televisão, onde homens musculosos dirigem com caminhonetas por florestas selvagens. Não desse tipo. A verdadeira, a que nos foi dada por direito, a liberdade que vem incrustada no âmago do nosso ser. Ela, tão negligenciada por nós, feita prisioneira por uma moral criada pelos maus pra nós controlar. Vergonha. Medo de não atender as expectativas deles. Era isso. Isso que o atormentava. Como iria ser livre, se antes mesmo de nascer, já estava acorrentado aos prazeres de outros? Como ele queria estar preocupado com o futebol ou com o cenário político, ao invés de se meter com questões que não devem ser importunadas. Mas isso fazia parte dele, parte de sua razão. Cansaço. Suspiro. Um estralo das juntas ali. Os olhos já iam ficando pesados, a garrafa de vinho já fazia efeito. Era mais fácil se entregar a Morfeus e esperar que ele o agraciasse com outra realidade, pois da que ele vivi agora não mais quer fazer parte.
Tem hora que vai ter poema outra hora devaneio noutra umas bobagens de certo nada muito revolucionário tem gente que vai gosta talvez odiar ou relevar no final não importa só quero poder escrever e ter aqui com quem contar.
quinta-feira, 26 de maio de 2016
Dez pra meia noite
Dez pra meia noite
já meio entorpecido
pelo dia intenso
encosto na cadeira
e contemplo tudo que tenho
Cansado
sinto algo estranho
mas que não consigo precisar
nesse momento
tem um cheiro de mudança
um toque de esperança
Eu fico perdido
aturdido
tentando entender
e escrever
mas que diabos é isso?
o que devo precisamente sentir?
É mais do que simplesmente sentir
minhas mãos tremem
a caneta cai ali
perto da xícara de café
já perdi a rima
perdi o pé
que sentimento é esse
que faz cada palavra soar imprecisa e mal formulada?
Não há vocabulário pra ele ainda
o máximo que posso fazer agora
é da-lo boas vindas
e tentar quem sabe daqui um tempo
te contar de onde ele vinha.
já meio entorpecido
pelo dia intenso
encosto na cadeira
e contemplo tudo que tenho
Cansado
sinto algo estranho
mas que não consigo precisar
nesse momento
tem um cheiro de mudança
um toque de esperança
Eu fico perdido
aturdido
tentando entender
e escrever
mas que diabos é isso?
o que devo precisamente sentir?
É mais do que simplesmente sentir
minhas mãos tremem
a caneta cai ali
perto da xícara de café
já perdi a rima
perdi o pé
que sentimento é esse
que faz cada palavra soar imprecisa e mal formulada?
Não há vocabulário pra ele ainda
o máximo que posso fazer agora
é da-lo boas vindas
e tentar quem sabe daqui um tempo
te contar de onde ele vinha.
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