Dez pra meia noite
Tem hora que vai ter poema outra hora devaneio noutra umas bobagens de certo nada muito revolucionário tem gente que vai gosta talvez odiar ou relevar no final não importa só quero poder escrever e ter aqui com quem contar.
sábado, 14 de outubro de 2017
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Vem cá, chega mais perto. Isso. Ta ouvindo? Minha respiração? Me ouve ofegar? Ouve meu coração? Bom, sei que não pode responder, mas espero que ouça. Porquê é pra você. É seu. Cada som, cada ritmo, cada batida. Ouve? Presta atenção nele. O som daquilo que me forma. O que me dá vida. (Risos) Irá soar clichê, mas de todas as belezas, ela é minha preferida. A beleza que eu vejo quando fecho os olhos e escuto. Sinto. Cheiro. Você bem perto. Os olhos se fecham mas a alma se abre e você me vê de outras formas. Vê a beleza que sai de dentro. Aquela silenciosa que só ouve quem tá bem perto. Tipo agora. Ta ouvindo? Espero que sim. É pequeno eu sei, mas é meu. E mesmo quando nada mais fizer sentido e a tristeza parecer maior, você vai ouvir ele. No seu dia mais feliz, quando seu sonho se tornar realidade, você vai ouvir ele. E sempre vai ser o mesmo som. Meu som. Você vai me sentir batendo e batendo, forçando minha existência contra você. E isso me faz muito feliz. Saber que sou ouvido. E também saber que existe um som pra mim. Não importa quanto tempo passe, eu sempre vou ser o mesmo pra você, ainda que tudo mude, você ainda vai poder fechar os olhos e saber quem eu sou.
Hoje, amanhã e até minha última batida.
Com amor, joão.
segunda-feira, 25 de setembro de 2017
No topo do mundo
Ao longo dos anos
Fiz dele meu passado
acaso me lembrava
Pra me torturar é claro
Por puro deleite
Me lembro do som do nome dele
Como meus lábios se mexiam
Quando o chamava
Me lembro do cheiro dele
Com os olhos fechados
Sabia que ele estava ali
Ou ao menos fingia
Me lembro do toque dele
Suas mãos fortes segurando meu corpo
Tocando osso a osso
Me lembro de como me olhava
Fixamente
Com as pupilas dilatadas
Me lembro de como me sentia
Seguro
Como se o mundo não me assustasse mais
Me lembro dele sorrindo
Bobo lindo
Sempre exagerado
Sempre mais do que devia
Me lembro de tudo
E também me lembro porque parti
Todo aquele amor
Não era pra mim.
quarta-feira, 20 de setembro de 2017
Silêncio
Quando vc desliga a tv
Bloqueia o celular
Fecha o Notebook
E apaga a luz
Só o que resta é você
Estranho não?
Se lembrar que você ainda existe
Contempla a si mesmo
Se toca
Se cheira
Se vê sem fronteiras
O reflexo da verdade te assola
O que mais devemos fazer?
Quem eu sou na verdade?
Qual meu objetivo?
Todas as dúvidas voltam
Você sem saber o que fazer de novo
Chora
Por tudo que você é
E pelo que não é também
Você liga a tv
Desbloqueia o celular
Abre o Notebook
E acende a luz
Enfim, paz.
sábado, 19 de agosto de 2017
Luto
Lembra de quando nós éramos jovens
Lembra de como sorrir era fácil
Eu lembro de cada minuto
Cada passo
De cada abraço
Dentre tudo que vivemos
Dentre tudo que escolhemos
O que eu mais sinto falta
São das nossas manhãs
Quando devagar
O sol ia invadindo nossa cama
E calmamente
Nos abençoando
Eu nem precisava acordar
Pra saber que você estava lá
Eu sentia seu corpo ao meu
Seu cheiro, meu Deus
Da terra dos sonhos
Eu já vinha sorrindo
Feito um bobo
Sabendo que do outro lado
Encontraria paz
Me lançaria em terra firme
Voraz, pronto pra te amar
De tudo que mais sinto falta
Esse breve momento
Era pra mim tudo
Era céu terra mar
Era sem dúvida alguma
Nosso amor resumido num segundo
Queria ficar preso nesse loop
Porque pra mim agora
Tudo que esse momento representa
Não passa de luto.
sexta-feira, 11 de agosto de 2017
Sete palmos
Submerso
Ouço o silêncio cantar
Ouço atento
Cada nota que faz e refaz
Submerso
Ele e o escuro
Dão a si novos rostos
Se desfazem de suas prisões
E são ali o que são enfim
Submerso
Envolvem minha carne
O véu enfim se rompe
Ah! que belo holocausto
Submerso
As palavras saem
E se dissovem a nada
Ouve minha mãe o grito de sua carne?
Submerso
Antes do tempo ser às eras
Eram
Submerso
São por mim o que não fui
Completo
segunda-feira, 31 de julho de 2017
O que eu faço
Num minuto de clareza
Me surpreendo do nada
O que eu faço?
Me sentindo enganado
De repente tudo ou nada
Uma tristeza tão ousada
Sem aviso
Sequer um presságio
Quando a realidade
Mostra como tudo é de verdade
Quando você vê a morte e a vida
Ambas claras
A verdade te estraçalha
E você finalmente vê
Vê a desgraça
E fica perdido
Se perguntando
O que eu faço?
O que eu faço?
A cegueira volta
A dor passa
Você grita desesperado
DEUS!
Como é bom não ver nada!
domingo, 30 de julho de 2017
Ei você
Eu fecho os olhos
Olho pra dentro
Hello, darkness my old friend?
Que diabos tá acontecendo
De todas as minhas versões
Essa é a que mais odeio
Sério que é isso tudo que temos?
Raridade diferenciar
Saber lúcido
Do imaginar
Sentimentos passam como uma navalha
Cortando perfeitamente
Minha cabeça despreparada
Ei você
Porque tá tudo ardendo?
Perguntou errado meu amigo
O certo é porque não estamos
Nos entendendo.